O IMPACTO DA “LEI DE PROIBIÇÃO” NOS ESTADOS UNIDOS

17 janeiro, 2022

O IMPACTO DA “LEI DE PROIBIÇÃO” NOS ESTADOS UNIDOS

Créditos: Unsplash

Como as leis de proibição tornaram a produção vinícola difícil nos Estados Unidos.

Todos temos a sorte de viver em uma época em que o vinho está a apenas um clique de distância, mas compreender os eventos históricos que influenciaram a cultura do vinho nos Estados Unidos pode nos dar uma visão e apreciação adicionais. Neste texto, vamos analisar o efeito que a proibição dos EUA teve sobre o vinho e o que isso significa atualmente na produção vinícola daquele país. Confira.

AS 18ª E 21ª EMENDAS À CONSTITUIÇÃO DOS EUA:

Entre 1820 e 1830, uma onde religiosa assolou os Estados Unidos, levando pedidos de abstinência ao álcool entre outros movimentos. Em 1838, o estado de Massachusetts passou a lei de abstinência banindo a venda de bebidas em recipientes menores que 15 galões, e apesar de a lei ser derrubada 2 anos depois, esta marcou um precedente na legislação (credito: History.com channel). O Maine passou a primeira lei de proibição ao álcool em 1846 seguido de uma lei ainda mais restrita em 1851. Vários estados seguiram aprovando leis parecidas até que a Guerra Civil americana começasse em 1861.

O chamado "Temperance Movement" lutou para banir o álcool nos Estados Unidos durante décadas e se tornou a força motriz por trás da proibição no início do século XX. Em 16 de janeiro de 1919, o Congresso validou a 18ª Emenda, que proibia a produção, transporte e venda de “bebidas intoxicantes” (inclusive vinho), embora sua posse e consumo ainda fossem legais. A proibição começou em 17 de janeiro do ano seguinte e continuou até que a 21ª Emenda entrou em vigor em 15 de dezembro de 1933 - revogando oficialmente a proibição.

ISENÇÕES DE PROIBIÇÃO: Além da 18ª Emenda, a Lei Nacional de Proibição (Lei Volstead) forneceu ao público as informações necessárias para entender as mudanças na lei. Por meio desse ato, certas exceções foram permitidas para pesquisas, combustíveis e indústrias que exigiam álcool em suas operações, bem como seu uso na medicina e em cerimônias religiosas.

  • Curiosidade: Muitas vinícolas foram forçadas a vender ou destruir seus estoques antes que a proibição fosse implementada e, para garantir que cumprissem a lei, alguns vinhedos foram até mesmo arrancados. Um punhado de vinícolas da Califórnia com licenças ainda podiam permanecer abertas para a produção de vinho sacramental. As uvas também estavam disponíveis para pessoas que queriam fazer vinho em casa - até 200 galões por ano por propriedade.

VINHO SUBTERRÂNEO: Houve algumas vinícolas que secretamente continuaram a produzir e vender vinho em violação da lei. Embora não sejam tão notórios quanto os contrabandistas de bebidas alcoólicas da época, eles desenvolveram um sistema de palavras-código para conduzir as transações. Com o passar do tempo, cresceu uma atitude frouxa da sociedade em relação à lei. Os bares clandestinos proporcionavam às pessoas um local para consumir álcool fora de casa.

APÓS A REVOGAÇÃO: A proibição causou um retrocesso significativo para a indústria do vinho na Califórnia. Nesse ínterim, os estados receberam controle total sobre suas próprias leis sobre o álcool, com muitos optando por permanecer "secos" até muito mais tarde - alguns condados e municípios ainda estão "secos" até hoje.

  • Atualmente: Os anos 1960 e 70 trouxeram um renascimento do vinho que estabeleceu os produtores da Califórnia como concorrentes sérios no cenário internacional. Hoje, cada estado tem a capacidade de regular a distribuição de álcool, e o comércio interestadual torna mais fácil do que nunca degustar bons vinhos em todo o país. Na verdade, agora existem vinícolas localizadas em todos os 50 estados.

Para conhecer mais sobre os sabores da Califórnia, após as proibições, clique aqui e confira a seleção especial de vinhos que preparamos para você.




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