Como começamos

 Há mais de trinta anos nós visitamos a Califórnia e   suas regiões viníferas experimentando   praticamente todas as safras desde então –   religiosa e diligentemente. Fazemos sempre a   peregrinação mandatória às grande apelações de   Napa e Sonoma e também às vinícolas ícones   como Silver Oak, Duckhorn, Mondavi, Chateau   Montelena. Mas também exploramos vinícolas   menores, artesanais, assim como apelações   menos conhecidas. Assim, de visita em visita, ao   longo destas duas décadas estimamos que já conhecemos cerca de metade das 2,000 vinícolas deste estado.                       

Para quem ainda não é iniciado nesta região, vai um pequeno resumo.
A Califórnia produz vinho há mais de dois séculos. Desde quando ainda pertencia à Espanha, que a colonizou através das Missões Franciscanas – pequenas povoações, 21 ao todo, em torno de uma igreja, um sino e um vinhedo, onde os padres tentavam catequizar os indóceis índios de dia, e produziam vinho de noite. (Presume-se que entre um gole e outro, acabavam se entendendo).
O grande feito dos Californianos neste início foi terem salvado as videiras da Europa, devastadas pela phylloxera no século 19.  Raízes de videiras californianas, resistentes à praga, foram enxertadas com videiras francesas, salvando assim a Europa da dizimação de seus vinhedos. E nada mais notório aconteceu depois disto. 
Até que em 1976 um britânico, dono de uma pequena loja de vinhos em Paris, convidou nove experts franceses do mundo do vinho, para provar às cegas doze vinhos da Califórnia contra oito entre os melhores Franceses. E para espanto geral, e do próprio júri, os Californianos ganharam. Entre eles, o Chardonnay do Chateau Montelena em Calistoga no Napa Valley (importado pela SmartBuy Wines) que bateu o Batard-Montrachet do Ramonet-Prudhon e o Puligny-Montrachet les Pucelles do Domaine Leflaive. Agora a cada dez anos, repete-se a prova com os mesmo vinhos e safras, e os Californianos seguem ganhando. Esta é a historia do “Julgamento de Paris”, e é contado de forma simpática no filme “Bottle Shock”. 
Assim ao longo destes 50 anos os Californianos ampliaram e conquistaram seu espaço e hoje, em qualquer lista de grandes vinhos do mundo, em geral um quarto dos vinhos vem de lá. Por exemplo, na lista anual “Top 100” da Wine Spectator, publicada desde 1988, os Californianos representam em média 32% da lista, ao longo destes 23 anos.
A California tem 124 AVA’s (American Viticultural Area), que estão situadas em 37 municípios ou condados (“county” em inglês), que por sua vez estão agrupadas em 5 macro-regiões. Abaixo, descrevo as AVA’s e os Condados que valem a pena registrar na memória e as uvas pelas quais são famosos, e já numa ordem decrescente do nível de entusiasmo que merecem:

1. North Coast: contem os condados e apelações mais reconhecidos no mundo do vinho.


a. O condado de Napa abriga as apelações de Napa Valley AVA, Oakville AVA, Calistoga AVA, Rutherford AVA, Stag’s Leap AVA, Howell Mountain AVA, entre outras. Aqui, o negócio é Cabernet Sauvignon – perder tempo com outras varietais distrai do que é a razão-de-ser desta região.  Os “Vineyard-Designated” estão no topo da hierarquia porque são vinhos feitos com fruta de um só vinhedo de notória reputação, e isto vai aparecer no rótulo. É neste vinho que você deve focar. Uma garrafa vai custar entre US$75 e US$750. Mas afinal, é como dizem: um homem para se realizar tem que ter um filho, escrever um livro, e beber um “Vineyard-Designated”.  

b. No condado de Sonoma as apelações que merecem destaque são Sonoma Valley AVA (Cab Sauv, Merlot), Russian River Valley AVA (os Pinot Noir mais marcantes da California), Dry Creek Valley AVA (Zinfandel excepcionais), Alexandre Valley AVA (Cab Sauv, Merlot).  É daqui que vem a maioria dos “smart buy” que SmartBuy  Wines importa como o Hobo Zinfandel Dry Creek Valley, Foppiano Pinot Noir Russian River Valley entre tantos outros.

c. Mendocino County contem as apelações de Anderson Valley AVA (excelentes Pinot Noir a ótimos preços), e Yorkville Highlands AVA (varietais bordalesas, como Cab Sauv e Franc, Merlot e Carmenere, Malbec, Petit Verdot).

2. Central Coast: a 2a macro-região mais importante, porque é a maior fonte da uva utilizada para cortes/blends, e cujos condados mais importantes são San Luis Obispo (onde fica a AVA de Paso Robles, famosa por Syrah e outras varietais de Rhone como Grenache e Mourvedre) e Santa Barbara (lar das AVA’s Santa Ynez Valley e Santa Rita Hills). No condado de Monterrey fica Santa Lucia Highlands AVA, fonte dos Pinot “vineyard designated” excepcionais

3. Sierra Foothills: ótimos vinhos na relação custo-beneficio. Os seus          condados, como o próprio nome diz, ficam ao pé da Sierra Nevada. Procure sempre por Zinfandel e Cabernet Sauvignon de Amador CountyShenadoah Valley AVASierra Foothills AVA. A linha de vinhos “Best Value” da SmartBuy Wines em geral vem desta região.

4. Central Valley: região onde se produzem os vinhos de garrafão ou em embalagem tipo tetrapak, de pouca qualidade e sem expressão. Em geral, no Brasil as importadoras traziam vinhos desta região, e os sommeliers aprendiam sobre California com estes vinhos....desta forma formavam uma percepção equivocada sobre o vinho Californiano. É como fazer imagem do carro importado, dirigindo um Lada Russo.... Há uma ou outra exceção nesta região, mas é necessário garimpar – fique com os Zinfandel que vem de Lodi AVA e Clarksburg AVA.

5. South Coast: de pouca expressão, com poucas AVA’s, onde só se destaca Temecula. Não vá por aí não.

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